Em dias como esse

A noite em que Donald Glover, Lena Waithe, Aziz Ansari e mulheres incríveis brilharam mais forte.

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Imagem: Reprodução/NBC

Sendo mulher, negra e dentro do espectro, não é todo dia que eu levanto querendo que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, se sinta como eu me sinto no momento. Acontece menos vezes do que eu gostaria, e normalmente o sentimento não dura muito tempo, já que vivemos num mundo onde as porradas vêm maiores e com mais frequência do que os afagos.

Hoje, redigindo esse texto, 18 de setembro de 2017, é felizmente um desses dias.

Antes de mais nada eu gostaria de contar uma história bem breve: quando eu tinha 16 anos, o filme A Princesa e o Sapo, da Disney, foi lançado no cinema. Apesar de ser um filme bem esquecido (eu nem imagino por que…), você deve pelo menos se lembrar de que foi o primeiro filme da Disney com uma princesa negra. Mais do que disso, era uma princesa cujo propósito na vida não era casar, e sim, abrir um restaurante. Spoiler: no final do filme ela consegue ambos, o mozão e o restaurante (#goals). Eu fui ver esse filme no cinema, e lembro de sentar na cadeira do cinema, já ansiosa e chorar escondidinho quando ela apareceu na tela pela primeira vez. Apesar de todos os apesares desse filme, me ver representada no cinema como uma princesa era algo que eu nem sabia que no alto dos meus pop punk 16 anos eu ainda queria. Tanto que, ano passado, eu fui à Disney em Orlando e fiquei na fila um tempão pra tirar foto com a Tiana. #worthit

Corta novamente pra hoje.

Em dias como esse, eu me sinto de novo aquela menina de 16 anos sentada na cadeira do cinema, se vendo como uma princesa pela primeira vez, e é nessa hora que eu me sinto tão completa e tão no caminho certo que eu desejo de coração que todo mundo se sinta assim pelo menos uma vez na vida.

Não é fácil fazer parte de uma “minoria” (entre MUITAS aspas) que, em 2017, ainda precisa comemorar vitórias de Aziz, Donald Glover e Lena Waithe como primeiras vezes. Você vai ler esses fatos em muitos lugares por aí, mas eu me sinto na obrigação de citá-los aqui:

  1. Lena Waithe foi a primeira mulher negra a ganhar na categoria de Melhor Roteiro de Comédia*, prêmio que ela levou pelo episódio “Thanksgiving”, da série Master of None (POR FAVOR assistam!!!). Aziz Ansari, indiano (e gênio), levou o prêmio junto com ela.
  2. Donald Glover foi o primeiro homem negro a ganhar na categoria de Melhor Direção de Comédia*, e também levou pra casa o troféu por Melhor Ator de Comédia*

*Alguns nomes de categorias podem estar errados, pois eu traduzi esses de memória. Peço perdão pelo vacilo.

No seu discurso, Lena falou que “as coisas que nos tornam diferentes — esses são nossos superpoderes,” e também falou sobre como é importante que nós vistamos (essa palavra existe?) capas e saiamos (???) para conquistar o mundo, “porque ele não seria tão bonito se não estivéssemos nele.

A vitória de minorias não é só feliz e incrível, como também é um ato político. No seu discurso, Donald ironicamente agradeceu Donald Trump “por ter feito dos negros os primeiros na lista de mais oprimidos,” mas também disse que tudo era como um sonho, e que ele não quer fazer o melhor filme indie, mas sim o melhor filme.

Em dias como esse, de gente como essa, eu me sinto gigante.

E muito embora a gente viva esperando quando a próxima porrada vai chegar, acho que dessa vez eu realmente consigo me sentir uma super-heroína por mais tempo.

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27 anos. Brasileira. Criadora de conteúdo, ilustradora e blogueira de comportamento e de esporte. http://linktr.ee/ddsaldanha

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